A REALIDADE A DOIS
"Todo amor é mortal. Com início, meio e quase sempre um triste fim"
A princípio eles não tinham olhos para ver o que viria pela frente, não mediram consequências ou possíveis turbulências. Eles estavam distantes da realidade, envolvidos pelo encanto e magia de um amor incondicional e pela chama de uma paixão avassaladora. Não havia exatamente nada que pudesse interferir ou abalar as estruturas formadas por eles, os fatos, evidências e opiniões contrarias eram insignificantes para terem um segundo de atenção. Ambos estabeleciam uma perfeita união, desejada e invejada por muitos.
Seus sentimentos e desejos estavam a flor da pele. Por seus lábios declararam juras de amor eterno. Em seus pensamentos não existia espaço para mais nada além de um ao outro, seus corações pulsavam numa perfeita sincronia, tão proximos como se fossem um só. Não havia tristeza nem solidão, pois um tinha ao outro e um completava o outro. O caminho estava forrado por flores, exalando um doce e agradável perfume, por esse caminho eles seguiram unidos, felizes e confiantes. O encanto foi lançado sobre eles e o mundo passou a ser pequeno demais para conter tamanha alegria que sentiam.
Mas um dia foram surpreendidos por espinhos que surgiram inesperadamente, o clima começou mudar drasticamente e a hamônia foi afligida. As diferenças se tornaram cada vez mais visíveis e constantes, a convivência chegou a um ponto insuportável. Foi ai que viram o quanto o eterno estava frágil e sem esperanças de perpetuar. Uma barreira se formou entre os dois forçando que se afastassem e seguissem caminhos contrários, foram várias as tentativas para reverter a realidade dura e cruel, mas todas tentativas foram fracaçadas. Não havia mais sentido lutar contra o invecível. Cada um seguiu para um lado, feridos, magoados e desiludidos, em busca de abrigo e consolo para um coração totalmente destruído por quem menos esperavam...
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